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sábado, 2 de agosto de 2008

Fragmento por CL

— E então você não quis mais nada disso. E parou com a possibilidade de dor, o que nunca se faz impunemente. Apenas parou e nada encontrou além disso. Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta. Não esta sua voz baixa e doce. E eu não choro, se for preciso um dia eu grito, Lóri. Estou em plena luta e muito mais perto do que se chama de pobre vitória humana do que você, mas é vitória. Eu já poderia ter você com o meu corpo e minha alma. Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primei o de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvaç o para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura.Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia. Mas eu escapei disso, Lóri, escapei com a ferocidade com que se escapa da peste, Lóri, e esperarei até você também estar mais pronta.


7 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, eu já olhei uma quantidade considerável de blogs, mas esse post foi um dos mais difíceis de comentar alguma coisa.

É complicado comentar sobre o que acontesse na vida pessoal dos nossos próprios personagens, porque quem está por fora da situação sempre fala "ah isso vai passar", ou "vai lá cara, luta pelo o que voce quer", mas eu não.
Só te digo que a vida é complicada e às vezes é interessante sentir dor, mas eu acho intrigante quando se tem uma má relação ou seja la o que for e se toma isso como exemplo ou como obrigatoriedade, por isso que as cascas vão se formando.
Pessoalmente, prefiro dar a cara ao vento e ver se recebo o tapa ou ele me tras uma linda flor.

O texto está muito sincero, Parabens!

Abraco

Euzer Lopes disse...

Que amor é esse?
Que amor é esse que escreve centenas de palavras e dispensa todas?
Palavras são só palavras. Sentimento transformado em palavras ganha uma dimensão de tão profunda beleza que fica impossível não se contagiar.

Ankhmaya disse...

Amar é tão difícil quanto subir escada de costas. Muitas vezes caímos, outras tropeçamos, mas continuamos caminhando, até que conseguimos e seguimos felizes até o topo.

Gostei bastante do texto, parabéns!
Abraços
_________
Folhetim On Line - Hora Marcada

Rubens disse...

Vejo que seu blog tem um conteúdo muito agradável de se ler, gostei muito moça.

Rubens Correia
www.blogdorubinho.cjb.net

Anônimo disse...

Profuundo... Literalmente tô sem palavras!

Anônimo disse...

Lóri existe?
Ou seria uma personagem?
É uma amada na verdade, ou seria só inspiração.
texto complexo, um desabafo, acho.
Legal

Ricardo Jung disse...

sim, você também se cansou

sua força é imensa como quem renasce diante de tão intensa hipocrisia, a de ser uma pessoa aceita...

muito bom o texto, quase incompreensível de tão perfeito, é angustiado! e sábio ao mesmo tempo...

eu também estou a beira de um colapso social... estou quase tomando a pílula vermelha

e que assim seja, que nosso amor exploda em ódio, pra que ao menos a unha dessa gigante hipocrisia a gente consiga arrancar


neurose de esperança:
http://artepoiesis.blogspot.com/